Sargento da PM e secretário municipal em Barra do Corda chama petistas de ‘inimigos da polícia’; vice-governador e deputados veem incitação e pedem providências ao MPF e à PF
Um áudio gravado pelo sargento da Polícia Militar e secretário de Segurança Pública do município de Barra do Corda (MA), James Mota, deverá ser investigado por órgãos de fiscalização eleitoral após conclamar a coerção e a prisão de eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) no dia da votação.
Na gravação, divulgada em aplicativos de mensagens, Mota associa a militância partidária a condutas ilícitas e incita policiais a agirem contra esse eleitorado no pleito:
“E quem é PT é inimigo da polícia, é inimigo da sociedade. Umbora pra cima, umbora prender e mandar pra caixa do c*****”*, diz o secretário no trecho vazado.
Barra do Corda fica situada no centro do estado do Maranhão, região que concentra disputas acirradas no segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Reação das Lideranças Políticas
O conteúdo do áudio levou o vice-governador do Maranhão, Felipe Camarão (PT), e parlamentares da bancada federal a acionarem formalmente a Justiça Eleitoral, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal para a adoção de medidas cautelares e a abertura de inquérito sobre eventual abuso de autoridade e assédio eleitoral.
O deputado federal Márcio Jerry (PCdoB-MA) classificou as declarações como uma tentativa inaceitável de intimidação do eleitorado, ressaltando que o cumprimento da lei exige neutralidade dos agentes de segurança pública. No mesmo tom, o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou que o posicionamento do policial militar inviabiliza sua permanência no comando da Secretaria de Segurança do município.
Outro Lado
Procurado, o sargento James Mota divulgou nota pública de esclarecimento na qual confirma ter gravado as falas, mas sustenta que o áudio foi retirado do contexto de conversas informais e provocativas em um grupo privado mantido no WhatsApp por policiais militares.
O secretário declarou que utilizou “expressões fortes” durante debates sobre corrupção e defendeu que sua intenção original era alertar integrantes da reserva para a fiscalização contra irregularidades no dia do pleito, como compra de votos e boca de urna. Mota negou que faça uso do cargo público municipal para perseguição política e afirmou que sua atuação profissional é pautada pelo respeito à legislação eleitoral e à neutralidade institucional.