Dino dá 90 dias para Fazenda apresentar proposta de aprimoramento da CVM, após falhas no Master
A CVM vem sendo acusada de leniência e falhas na supervisão do banco Master
Por Administrador
Publicado em 20/09/2026 20:58
Politica

BRASÍLIA - O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo, 20, que a União, sob coordenação do Ministério da Fazenda, apresente em 90 dias uma avaliação técnica sobre o arcabouço da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com propostas para o aprimoramento do órgão.

 

A CVM é responsável pela regulação do mercado de capitais no Brasil, e monitora fundos de investimentos que foram usados pelo Master para fraudar o seu balanço. O banco também é acusado de manipular cotações para conseguir cumprir regras de prudência bancárias determinadas pelo Banco Central.

 

Em sua decisão, Dino cita o Grupo de Trabalho Master, criado dentro da própria autarquia, e manifestação da Transparência Internacional que aponta “a existência de fragilidades relevantes nos mecanismos de controle interno da Comissão de Valores Mobiliários”.

 

“Pelo exposto, determino à União que promova avaliação técnica e reapreciação fundamentada do atual arcabouço normativo infralegal relacionado às matérias examinadas nesta decisão (...), com a apresentação das conclusões, medidas propostas e respectivas justificativas técnicas. É fixado o prazo de 90 (noventa) dias para o cumprimento desta decisão, sob a coordenação do Ministério de Estado da Fazenda”, diz o magistrado.

 

Para embasar sua decisão, Dino cita o arquivamento de denúncias na CVM feitas contra o banco de Daniel Vorcaro.

 

“O arquivamento de denúncias sem a realização de diligências mínimas de verificação, a exemplo da notícia encaminhada em 2022, que antecipava, com elevado grau de detalhamento, as irregularidades posteriormente identificadas no Banco Master, incluindo referências à existência de ativos ilíquidos, à manipulação de cotações e à recompra de créditos, mas que foi sumariamente arquivada pela área técnica sob o fundamento de inverossimilhança”, diz Dino.

 

Em março deste ano, o Partido Novo entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF para questionar o orçamento da CVM e sua capacidade de gerir os próprios recursos. Segundo o partido, a CVM tem recebido baixa parcela da Taxa de Fiscalização dos Mercados, e isso tem impedido do órgão de executar o seu trabalho.

 

O partido Novo argumenta que não há proporcionalidade entre a arrecadação e o custo da atividade da CVM e que os recursos obtidos com a taxa de fiscalização “estão sendo sistematicamente apropriados pelo Tesouro Nacional”.

 

O governo federal já havia encaminhado um plano de reestruturação do órgão, e Dino já havia feito outros pedidos de ajuste.

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