A corrida pelo Palácio Araguaia ganhou um novo nome na reta final da campanha. José Wilson Siqueira Campos Júnior, filho mais velho do ex-governador Siqueira Campos, entrou na disputa pelo Governo do Tocantins aos 69 anos e fará sua primeira campanha eleitoral, carregando um dos sobrenomes mais conhecidos da política tocantinense.
O Partido Democrata apresentou Siqueira Campos Jr. como substituto do subtenente Luiz Carlos Ferreira da Silva. O pedido de registro em substituição tramita no Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO), no processo nº 0600604-42.2026.6.27.0000, e teve edital publicado nesta terça-feira (08/09). A votação do primeiro turno está marcada para 4 de outubro.
A nova chapa terá como candidato a vice o militar reformado do Exército Osmar Gomes de Lima, conhecido como Capitão Osmar, de 66 anos. Assim como Siqueira Júnior, ele também estreia em uma eleição.
A mudança ocorre apenas cinco dias depois de o TRE-TO indeferir, por unanimidade, a chapa originalmente lançada pelo Democrata. Luiz Carlos teve o registro negado por não apresentar certidões criminais estaduais de primeiro e segundo graus exigidas pela Justiça Eleitoral. Já Jair Medeiros, então candidato a vice, foi barrado por falta de quitação eleitoral decorrente de contas de campanha não prestadas.
Com isso, o partido recorreu a um sobrenome profundamente ligado à própria história do Tocantins para tentar permanecer na disputa.
Filho do primeiro governador
Siqueira Campos Jr. é filho do ex-governador José Wilson Siqueira Campos, considerado um dos principais idealizadores da criação do Tocantins. Siqueira foi o primeiro governador do Estado e comandou o Palácio Araguaia em quatro mandatos. Também exerceu mandatos na Câmara dos Deputados e chegou ao Senado. Morreu em julho de 2023, aos 94 anos.
Agora, três anos após a morte do pai, o filho mais velho tenta chegar ao mesmo cargo ocupado por Siqueira em diferentes períodos da história tocantinense.
Em entrevista após a entrada na disputa, Siqueira Júnior deixou claro que pretende usar justamente essa ligação histórica como um dos eixos da campanha. O empresário afirmou que não está “caindo de paraquedas” e disse querer recuperar o período que classifica como uma “época de ouro” do Tocantins. Também atribuiu ao pai o protagonismo pela criação do Estado.
Segundo ele, a família participou diretamente de projetos e decisões durante os primeiros anos do Tocantins. Siqueira Júnior também afirma ter colaborado, nos bastidores, com iniciativas como o projeto da Orla e a Praça dos Três Poderes, em Palmas.
Tentou disputar em 2022, mas desistiu a pedido do pai
Apesar de esta ser sua primeira candidatura efetivamente apresentada à Justiça Eleitoral, a possibilidade de Siqueira Júnior disputar o Governo não é nova.
Em março de 2022, então filiado ao Patriota, ele chegou a ser lançado como pré-candidato ao Palácio Araguaia. Cerca de um mês depois, porém, retirou o nome da disputa a pedido do próprio Siqueira Campos e não concorreu a outro cargo naquele pleito.
Quatro anos depois, o projeto finalmente chega às urnas, mas em circunstâncias bastante diferentes: no meio da campanha e com poucas semanas para que o empresário consiga apresentar sua candidatura aos eleitores dos 139 municípios.
Siqueira Júnior afirmou que pretende fazer uma campanha de baixo custo, concentrada em redes sociais, caminhadas e contato direto com os eleitores. Entre as propostas citadas inicialmente estão ações voltadas à juventude, formação profissional, incentivo ao empreendedorismo e estímulo à criação de startups por estudantes.
Irmão está no palanque de Dorinha
A candidatura produz ainda uma situação incomum dentro da própria família Siqueira Campos. Enquanto José Wilson Júnior disputa o Governo, o irmão Eduardo Siqueira Campos (Podemos), prefeito de Palmas, apoia a candidata Professora Dorinha (União Brasil).
Siqueira Júnior afirmou que não cobrará do irmão uma mudança de posição. Segundo ele, o apoio de Eduardo a Dorinha já estava definido antes de sua entrada inesperada na eleição. “Ele está apoiando a Dorinha. Ele nem sabia que eu ia ser candidato. Uma surpresa”, afirmou.
O candidato também negou qualquer rompimento familiar e disse respeitar os compromissos políticos assumidos pelo prefeito de Palmas.
Entrada ocorre em disputa polarizada
O desafio eleitoral é grande. Siqueira Júnior entra quando a campanha já está avançada e sem ter sido testado nos principais levantamentos de intenção de voto divulgados até agora.
Na pesquisa Paraná Pesquisas divulgada em 28 de agosto, Dorinha aparecia com 37,3% e Vicentinho Júnior (PSDB) com 35,5%, em empate técnico. Laurez Moreira (PSD) tinha 7,6%, Ataídes Oliveira (Novo), 5,1%, enquanto Luiz Carlos, candidato do Democrata posteriormente substituído, aparecia com 1,6%.
Já a Quaest divulgada em 25 de agosto apontava Dorinha com 37%, Vicentinho com 28%, Laurez com 7%, Ataídes com 3% e Luiz Carlos com 2%. O levantamento também mostrou 16% de indecisos.
Os percentuais obtidos por Luiz Carlos, contudo, não podem ser transferidos para Siqueira Júnior, já que se trata de outro candidato e seu nome ainda não foi medido nesses levantamentos.
A entrada do filho mais velho de Siqueira Campos, portanto, acrescenta um novo personagem à eleição, mas também uma incógnita: saber quanto ainda pesa eleitoralmente, quase quatro décadas depois da criação do Tocantins, o sobrenome que comandou o Estado por quatro mandatos e marcou profundamente sua história política.
Por 'AF Noticias'