NOTA OFICIAL: Célio Moura desiste de candidatura para cuidar da esposa, mas expõe insatisfação com o PT
Partido afirmou compreender a decisão do ex-deputado de priorizar os cuidados com a esposa
Por Administrador
Publicado em 18/08/2026 18:34
Politica

O ex-deputado federal Célio Moura (PT) desistiu da candidatura à Câmara dos Deputados nas eleições de 2026, alegando limitações provocadas por problemas de saúde e, principalmente, a necessidade de acompanhar a esposa, Magda Selma Moura, que enfrenta um tratamento contra o câncer.

Ao anunciar a decisão, porém, o petista também abriu espaço para um recado político e expôs sua insatisfação com o momento vivido pelo PT no Tocantins, citando divergências internas, isolamento e afastamento dos princípios que, segundo ele, sempre orientaram a legenda.

A desistência foi comunicada em uma carta de duas páginas, datada desta segunda-feira (17/08), em Palmas, e dirigida à militância petista, ao Diretório Estadual do PT e à sociedade tocantinense. No documento, Célio afirma que tomou a decisão após reflexão e apresenta uma combinação de fatores pessoais, familiares e políticos para justificar sua saída da disputa.

Sequelas de acidente e agravamento da saúde da esposa

Célio relata que ainda convive com as consequências de um acidente de trânsito sofrido em janeiro de 2021. Segundo ele, as sequelas provocam dores crônicas e dificuldades de locomoção, que se agravaram com o passar dos anos e passaram a impor limitações à sua rotina. Mesmo com esses problemas, o petista lembra que conseguiu concluir o mandato de deputado federal, exercido entre 2019 e 2023.

A situação mais delicada, contudo, envolve a esposa, Magda Selma Moura, sua companheira há mais de 46 anos. Ela passa por tratamento oncológico e, conforme Célio, o quadro se agravou, aumentando a necessidade de deslocamentos repentinos e frequentes para Goiânia, onde busca atendimento especializado.

Diante desse cenário, o ex-deputado afirmou que pretende dedicar sua presença e atenção integralmente à esposa. Na carta, ele relata ainda que a soma das dificuldades enfrentadas pela família tem provocado fortes impactos emocionais e psicológicos, tornando incompatível, na avaliação dele, a continuidade de uma campanha eleitoral com a intensidade exigida pela disputa.

Célio afirma que permanecer na eleição sem condições físicas, emocionais e familiares adequadas seria incoerente com a dedicação que sempre procurou manter em sua trajetória política.

Carta também expõe insatisfação com o PT

Além das razões pessoais, a carta revela um componente político importante na desistência. Célio Moura afirma ver com tristeza o atual momento do PT tocantinense e avalia que o debate de ideias perdeu espaço dentro do partido para divergências internas e movimentos de isolamento que, em sua visão, prejudicam a construção coletiva.

A crítica mais direta aparece quando o ex-deputado afirma: “Dói ver princípios serem deixados de lado por narrativas que nos afastam das nossas raízes”. A carta não cita nominalmente dirigentes nem detalha quais episódios levaram Célio a essa avaliação.

Apesar da manifestação pública de descontentamento com a condução do partido no Tocantins, Célio deixa claro que não está rompendo com o PT. Pelo contrário, reafirma seu apoio ao projeto nacional da legenda e declara que continuará trabalhando pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Candidatura era prioridade para o PT

A saída representa uma baixa relevante para a chapa proporcional da Federação Brasil da Esperança no Tocantins. Célio Moura foi eleito deputado federal em 2018 com 18.167 votos e, quatro anos depois, aumentou sua votação para 36.186 votos, embora não tenha conseguido renovar o mandato.

Na própria carta, ele relembra a eleição de 2018 e destaca ter sido o primeiro deputado federal eleito pelo PT no Tocantins. Também cita sua atuação parlamentar em áreas como agricultura familiar, comunidades quilombolas e indígenas, municipalismo, saúde, educação, infraestrutura, universidades e institutos federais.

O peso eleitoral de Célio também foi reconhecido oficialmente pelo partido. Após o anúncio da desistência, o PT-TO divulgou nota afirmando que a candidatura do ex-deputado era considerada prioritária para o projeto eleitoral da legenda no Estado. O partido manifestou solidariedade a Célio e Magda e declarou respeitar a decisão de priorizar a família neste momento.

A manifestação do diretório estadual, entretanto, não respondeu às críticas feitas pelo ex-deputado sobre o ambiente interno da legenda. A nota concentrou-se na situação de saúde da família, na trajetória política de Célio e na expectativa de que ele continue contribuindo com o partido mesmo fora da disputa eleitoral.

Desiste da candidatura, mas não da política

Ao final da carta, Célio pede desculpas aos militantes, amigos e apoiadores que já estavam mobilizados para sua campanha e afirma que viverá agora um período de maior dedicação à família. Ao mesmo tempo, faz questão de deixar claro que a retirada da candidatura não significa abandono da vida pública.

“Não estou me despedindo da política”, afirmou.

Célio diz que continuará participando das lutas populares, atuando na defesa da democracia e apoiando o projeto político nacional liderado por Lula. A desistência, portanto, encerra sua tentativa de retornar à Câmara dos Deputados em 2026, mas não sua atuação dentro do PT nem sua presença no cenário político tocantinense.

Fonte: AF Noticias

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