Alvo de uma operação da Polícia Federal por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, o secretário de Assuntos Legislativos do Maranhão, Raimundo Cutrim, fez graves denúncias contra o magistrado, a quem classificou como seu “inimigo pessoal e político reconhecido, desde a época em que Dino era governador e eu, deputado estadual”.
Dias antes de ser alvo dos mandados de busca e apreensão ordenados pelo ministro, Cutrim gravou um vídeo denunciando o que chamou de uma “onda de terror” promovida por aliados de Dino no estado. No registro, gravado em 11 de julho, o secretário afirmou já ter sido alertado sobre a iminente ação policial, informação que circulava como um “boato” espalhado por parlamentares “dinistas”.
Raimundo Cutrim, que é delegado aposentado da PF e ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão por duas vezes, defendeu sua trajetória e ressaltou ter uma “vida limpa”. Ele reconheceu um parentesco distante com Gilbson César Soares — autor confesso do homicídio no caso Tec Office —, mas acusou o grupo político de Dino de utilizar o crime de forma oportunista. “Gilbson matou à luz do dia e confessou repetidas vezes que o fez por problemas pessoais”, declarou.
O ponto mais crítico do vídeo ocorre quando Cutrim questiona a imparcialidade de Flávio Dino para relatar o caso, apontando a rivalidade política entre ambos. Além disso, o secretário fez uma acusação ainda mais grave: afirmou que parlamentares ligados ao ministro se posicionaram como “portadores de recados”, propondo a troca de sentenças de Dino por apoio em redutos eleitorais nas eleições de 2024.