A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (3) a Operação POD 2 – Carcinogenic, uma nova ofensiva contra o comércio clandestino de cigarros eletrônicos no Tocantins. A ação tem como foco desarticular um esquema investigado por contrabando de vapes e pods, além de aprofundar apurações sobre possíveis práticas de lavagem de dinheiro ligadas à atividade criminosa.
Durante a operação, agentes federais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Tocantins. As diligências ocorreram simultaneamente em Palmas e no município de Tucumã, no sudeste do Pará.
Segundo a Polícia Federal, a investigação busca esclarecer toda a cadeia de comercialização dos dispositivos eletrônicos para fumar, desde a aquisição e distribuição dos produtos até a movimentação financeira dos envolvidos. Os investigadores apuram a existência de um esquema estruturado de venda ilegal dos equipamentos, cuja comercialização é proibida em território nacional.
Conhecidos popularmente como vapes ou pods, os cigarros eletrônicos tiveram a fabricação, importação, comercialização, distribuição, armazenamento, transporte e propaganda proibidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. Apesar das restrições, o mercado clandestino desses produtos continua movimentando milhões de reais e tem sido alvo constante de operações policiais em diversas regiões do país.
A nova fase da investigação também pretende identificar outros integrantes da suposta organização criminosa, rastrear a origem dos produtos comercializados e dimensionar o alcance da rede de distribuição que atuaria no Tocantins e em estados vizinhos.
Os alvos da operação poderão responder pelo crime de contrabando, cuja pena pode chegar a cinco anos de reclusão. Dependendo do avanço das investigações, outras infrações penais, incluindo lavagem de dinheiro e associação criminosa, poderão ser incorporadas ao inquérito.
Nome da operação faz referência aos riscos à saúde
O nome da operação, “Carcinogenic”, foi escolhido em alusão aos potenciais efeitos nocivos associados ao uso dos cigarros eletrônicos. De acordo com a Polícia Federal, a ausência de controle sanitário sobre a fabricação e a composição dos produtos comercializados ilegalmente aumenta os riscos à saúde dos consumidores.
Autoridades de saúde alertam que muitos desses dispositivos podem conter substâncias tóxicas e compostos químicos de origem desconhecida, além de concentrações elevadas de nicotina. Como grande parte dos produtos entra no país por vias clandestinas, não há garantia sobre a procedência nem sobre os padrões de qualidade adotados na fabricação.
As investigações continuam e a Polícia Federal não descarta novas medidas judiciais à medida que surgirem elementos capazes de identificar outros envolvidos e ampliar o alcance da operação.