Médicos e engenheiros brasileiros criam IA que identifica dor em recém-nascidos
Agora é possível identificar dor com mais precisão e melhorar o cuidado neonatal
Por Administrador
Publicado em 03/05/2026 00:05
Politica

Médicos e engenheiros brasileiros desenvolveram um sistema inovador de inteligência artificial capaz de identificar sinais de dor em recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva neonatal (UTIs). A tecnologia combina análise de expressões faciais com dados fisiológicos para oferecer uma avaliação mais precisa do desconforto dos bebês, que ainda não conseguem se comunicar verbalmente.

 

O projeto é resultado de uma colaboração entre especialistas da Universidade Federal de São Paulo e da Faculdade de Engenharia Industrial. A iniciativa busca enfrentar um dos maiores desafios da neonatologia: compreender quando e quanto um recém-nascido está sofrendo.

 

A dificuldade é evidente na prática clínica. Diferentemente de adultos, bebês não conseguem descrever o que sentem. Segundo especialistas, a dor é tradicionalmente definida por meio de relato verbal, algo impossível nesse grupo de pacientes, o que torna o diagnóstico subjetivo e complexo.

 

O desafio de identificar a dor em recém-nascidos

Atualmente, médicos utilizam escalas internacionais como a NFCS (Neonatal Facial Coding System), que avalia expressões faciais específicas associadas à dor. Entre os sinais observados estão boca aberta ou tensionada, queixo tremendo, testa contraída e língua projetada.

No mundo todo, os médicos usam a NFCS, escala internacional que avalia o tipo de dor dos recém-nascidos, baseada nas expressões faciais do bebê

Esses indicadores são analisados em conjunto com dados fisiológicos, como frequência cardíaca, temperatura corporal e pressão arterial. Normalmente, dois profissionais de saúde avaliam essas informações para decidir se há necessidade de intervenção.

 

Mesmo com esses métodos, a interpretação pode variar. Pais também enfrentam angústia diante da incerteza. Em muitos casos, não conseguem identificar se o bebê está confortável ou em sofrimento, especialmente quando há complicações como dificuldades respiratórias.

 

Como a inteligência artificial foi treinada

Para aprimorar esse processo, pesquisadores iniciaram o projeto em 2015 no Hospital São Paulo. Câmeras foram instaladas sobre incubadoras para registrar o rosto dos recém-nascidos durante o tratamento diário.

Por João Cunha (do Site Meteored Brasil)

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