A jovem Larissa de Souza Batista foi detida na manhã de quarta-feira (15), acusada de tentar assassinar o próprio namorado ao oferecer-lhe um açaí contaminado. O episódio ocorreu em fevereiro, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e voltou a ter desdobramentos importantes nesta semana.
Segundo a Polícia Civil, Larissa estava foragida desde segunda-feira (13), quando a Justiça acatou a denúncia do Ministério Público e decretou sua prisão preventiva. A medida visa garantir a aplicação da lei enquanto as investigações prosseguem.
Ela foi localizada em um hotel de Ribeirão Preto por agentes da Delegacia de Investigações sobre Homicídios (Deic). Conforme o Ministério Público, o crime não se consumou por motivos alheios ao controle da suspeita, mas a acusação de tentativa de homicídio segue em curso.
Em depoimento à Polícia Civil, o namorado, Adenilson Ferreira Parente, manteve a confiança na versão apresentada por Larissa. Ele reiterou ter descartado qualquer participação dela no possível envenenamento e chegou a redigir uma carta em sua defesa. “Mesma declaração. Não tenho nada a esconder. (…) Eu quero que isso acabe e pronto”, afirmou após prestar esclarecimentos na terça-feira (7) na Central de Polícia Judiciária.
O caso ganhou repercussão quando Adenilson foi internado em estado grave na UTI após consumir o açaí ao lado da namorada em uma loja da zona leste. Ele sobreviveu, mas exames apontaram a presença de “chumbinho” — produto tóxico usado em raticidas — no alimento consumido pela vítima. Por isso, Larissa foi indiciada por tentativa de homicídio, e o Ministério Público solicitou que a Polícia Civil realizasse novas diligências para apurar a forma como o veneno foi inserido no açaí.
Na fase de apuração, além de Adenilson, foram ouvidas outras testemunhas, incluindo a irmã do rapaz e uma funcionária do estabelecimento onde o produto foi adquirido. A principal linha de investigação sugere que Larissa teria planejado o envenenamento para ficar com cerca de R$ 20 mil que ele havia obtido na venda de um carro. A vítima, no entanto, minimiza essa motivação: “Não é tão alta não . R$ 20 mil não dá pra nada mais hoje”, comentou.
Adenilson também descreveu como ocorreu o consumo: segundo ele, o copo de açaí que ingeriu estava lacrado, enquanto rejeitou inicialmente o que havia sido aberto pela namorada. “Ela abriu pra eu comer e eu não quis. Ela comeu o que abriu pra mim e eu peguei o meu, que estava lacrado”, relatou, reforçando a versão de consumo de produto adulterado sem aviso prévio.