Caso Benício: médica comercializava maquiagem enquanto menino lutava para respirar
Menino de 6 anos sorri antes de atendimento no Hospital Santa Júlia, alvo de investigação por suspeita de negligência (Foto: Instagram)
Por Administrador
Publicado em 24/03/2026 18:17
Politica

Novas revelações do inquérito sobre a morte de Benício Xavier, de 6 anos, indicam que a médica Juliana Brasil trocava mensagens para vender maquiagem enquanto o menino estava em estado crítico no Hospital Santa Júlia, em Manaus. De acordo com a polícia, essas conversas reforçam as suspeitas de negligência no atendimento e apontam para a aplicação incorreta de adrenalina, que pode configurar dolo eventual.

 

Mensagens extraídas do celular da profissional mostram que, após a administração inadequada de uma dose de adrenalina, Juliana continuou negociando produtos de beleza. A troca de mensagens ocorreu em 23 de novembro, data em que Benício apresentava dificuldade intensa para respirar, e reforça a hipótese de desatenção durante um momento de emergência.

 

O menino deu entrada na unidade por volta das 13h30 com sintomas de tosse seca, febre e suspeita de laringite. Inicialmente, a equipe avaliou que o quadro não era grave, e Benício foi mantido em observação enquanto aguardava o desfecho do diagnóstico.

 

Por volta das 14h29, a técnica de enfermagem Raíza Bentes aplicou adrenalina pura, sem diluição, diretamente na veia do garoto, seguindo a prescrição escrita da médica. Segundo a investigação, nem a via nem a dosagem estavam indicadas para aquele quadro. Logo em seguida, o paciente apresentou piora súbita, evoluiu para múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.

 

A polícia relata que Juliana só foi acionada cerca de oito minutos após a aplicação do medicamento. Nos primeiros contatos, ela buscou orientações com outros colegas, mas, já com o paciente em condição crítica, manteve conversas pessoais. Às 15h47, enviou sua chave Pix a uma amiga e negociou o valor de R$190 por um artigo de maquiagem. Para os investigadores, essa indiferença diante da gravidade pode caracterizar homicídio doloso qualificado.

 

Além das mensagens, o inquérito aponta que a médica teria solicitado a adulteração de um vídeo usado pela defesa para justificar o erro na prescrição da adrenalina. Laudos periciais confirmaram a manipulação do material. A defesa de Juliana Brasil nega irregularidades, atribui a falha a problemas no sistema do hospital e não se manifestou sobre as negociações de maquiagem.

 

Até o momento, mais de 20 testemunhas — entre familiares, profissionais de saúde e representantes do hospital — foram ouvidas. A Justiça determinou o afastamento cautelar de Juliana Brasil e de Raíza Bentes por 12 meses, proibindo-as de exercer suas atividades. O inquérito também avalia possíveis falhas nos protocolos de atendimento e na infraestrutura do Hospital Santa Júlia.

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