Congresso aprova novo modelo para escolha de reitores de universidades federais
O texto segue para sanção presidencial
Por Administrador
Publicado em 11/03/2026 18:05
Politica

O Senado aprovou, na terça-feira (10) o projeto de lei que altera o processo de escolha de reitores das universidades federais. O Presidente da República passa a ser obrigado a nomear o candidato mais votado na consulta realizada pela comunidade acadêmica.

 

Pelas regras atuais, após consulta à comunidade universitária (que envolve professores, estudantes e servidores técnico-administrativos), as instituições encaminham ao governo federal uma lista tríplice com três candidatos a reitores, e o presidente pode escolher qualquer um dos nomes indicados. O texto aprovado no Congresso Nacional muda esse procedimento ao acabar com a lista tríplice. Agora o texto segue para sanção presidencial.

 

O fim da lista tríplice era um pedido da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), que representa os reitores do País. Em 2023, a entidade chegou a encaminhar ao Ministério da Educação (MEC) uma proposta para alterar a forma como ocorre a escolha dos dirigentes das instituições de ensino.

 

A estrutura do processo eleitoral continua a mesma. O que muda é a extinção da lista tríplice, o que faz com que as decisões das comunidades acadêmicas passem a ser respeitadas”, afirmou José Geraldo Ticianeli, presidente da Andifes.

 

No modelo atual, o governo não é obrigado a escolher o candidato mais votado, mas, desde 1998, a tradição é indicar o mais votado. O governo Jair Bolsonaro, no entanto, rompeu com a prática. De 69 dirigentes nomeados pelo ex-presidente, 21 eram o 2º ou o 3º da lista tríplice. Na visão dos dirigentes, a decisão de não seguir a vontade da comunidade acadêmica desrespeita a autonomia universitária.

 

Tensão política nas universidades federais

Em 2019, o governo editou uma medida provisória (MP) para mudar o formato de escolha dos reitores: fixava, por exemplo, os pesos dos votos de professores, servidores e alunos nas eleições internas.

 

A MP motivou críticas de parlamentares e das comunidades acadêmicas e foi ignorada pelo Congresso, que permitiu a perda de validade da norma seis meses depois. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou que o presidente deveria seguir a lista, mas não tinha obrigação de escolher o 1º colocado.

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